Economia

Empresas não compartilham visão otimista do Fed sobre inflação

Empresas não compartilham visão otimista do Fed sobre inflação



Por: Fabio Pordeus Pedrosa | 19/07/2021

O Federal Reserve pode estar minimizando o risco de uma inflação persistente, mas os que provavelmente têm uma visão privilegiada – as próprias empresas – são menos otimistas sobre o aumento dos preços.

Na semana passada, Conagra Brands e PepsiCo sinalizaram que os custos mais altos dos insumos não devem ser temporários.

A expectativa dessas empresas é que diversos itens, incluindo mão de obra, permaneçam significativamente mais caros nos próximos meses.

“Não vou assumir que será transitória”, disse o diretor financeiro da PepsiCo, Hugh Johnston, sobre a pressão inflacionária em entrevista à Bloomberg TV em 13 de julho. “Vai estar conosco durante a maior parte do próximo ano.”

Se essas previsões forem precisas, investidores de renda variável terão que levar em conta um ambiente inflacionário sustentado.

O mercado tem sido complacente até agora, o que contribuiu para um rali das ações de tecnologia e de outros grupos com valores mais altos que apresentam bom desempenho quando os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA caem.

Mas isso pode mudar rapidamente se a inflação continuar elevada e os rendimentos subirem, de acordo com Michael Darda, economista-chefe e estrategista de mercado da MKM em Stamford, Connecticut.

“Vemos maior risco nesses setores, que seriam vulneráveis a uma reversão dos juros reais ou a um aumento das expectativas de inflação”, escreveu em relatório de 14 de julho.

Acalmando mercados

Declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, de que o aumento dos custos continua administrável ajudou a acalmar os mercados na semana passada, principalmente depois que um relatório de 13 de julho mostrou que o índice de preços ao consumidor registrou a maior alta desde 2008 no mês passado.

O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos caiu de cerca de 1,42% em 13 de julho para menos de 1,30% em 16 de julho.

O índice S&P 500 perdeu 1%, mas permaneceu perto da máxima histórica alcançada no início do mês. E ações de tecnologia de grande capitalização, como da Apple e da Microsoft, ampliaram os recentes ralis apesar da queda mais ampla dos índices acionários.

Ao mesmo tempo, a inflação e a capacidade das empresas de repassar custos aos clientes emergem como um dos principais tópicos nesta temporada de balanços.

A palavra inflação foi mencionada em 87% das teleconferências de balanços das empresas do S&P 500 acompanhadas pela Bloomberg neste mês, em comparação com 33% no mesmo período do ano anterior.

Na teleconferência da Conagra em 13 de julho, a inflação foi mencionada 49 vezes. As ações da fabricante de alimentos despencaram depois que a empresa cortou a previsão de lucro para o ano fiscal atual porque espera que os custos mais altos dos insumo pesem nas margens.

A PepsiCo teve melhor desempenho, e os investidores ficaram animados com as previsões de crescimento de lucro e receita, apesar dos alertas de inflação. Johnston, o diretor financeiro da empresa, disse que os clientes estão dispostos a pagar mais pelos produtos, o que ajuda a compensar os custos mais altos de insumos. A ação subiu 4,2% em sua melhor semana desde março, e fechou em nível recorde na sexta-feira.


FONTE: Money Times - Acesse